sexta-feira, 9 de julho de 2010

O mercado de aplicativos para celulares deve crescer 800% em três anos e oferece boas perspectivas de carreira


O que você acha de ingressar em um mercado com perspectivas de crescimento de 800% até 2013? Não, você não leu errado. De acordo com um estudo da consultoria alemã Research- 2Guidance, especializada em TI e indústrias emergentes, nos próximos três anos o mercado de aplicativos móveis, ou APPs, para celulares deve crescer num percentual de 800% em todo o mundo. Isso irá acontecer, diz a pesquisa realizada em abril de 2010, graças ao aumento global do uso de smartphones, atualmente baseados em plataformas que distribuem aplicativos por meio de App Stores. No Brasil, os números também indicam um cenário bastante positivo.

Segundo registro feito pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em abril de 2010, havia 179 milhões de celulares em uso no país. Destes, 9 milhões são aparelhos 3G. No ano passado esse mercado movimentou 9 bilhões de reais no Brasil, conforme indica um estudo da Mobile Marketing Association (MMA), uma entidade que representa 550 empresas mundiais que trabalham o celular como mídia para publicidade. Federico Pisani, presidente da MMA, explica que esse valor foi baseado na percentagem da receita de operadoras de celular por serviços de mobile utilizado. “Em 2010, calculamos que os negócios em APP podem atingir a marca de 15 bilhões de reais”, diz Federico. Na prática, esse boom de crescimento signifi ca mais empregos e boas perspectivas profi ssionais.

Hoje, há mais de 280 empresas de APPs, espalhadas principalmente pelo Rio de Janeiro, São Paulo, interior paulista, Manaus e Recife. Estima- se que, juntas, essas companhias abrirão 500 vagas somente neste ano. Se num passado recente a fi la dos que apostavam nesse nicho resumia- se a empresas de ring tones e joguinhos, hoje a briga concentra-se entre os desenvolvedores de aplicativos de conteúdo para diversas mídias, mapas (GPS) e marketingmobile — os jogos continuam fi rmes e fortes no páreo, cada vez mais sofi sticados e lucrativos.

A maioria dessas companhias é pequena, iniciadas com baixo capital. “No Brasil e no mundo o mercado se caracteriza por empresas pequenas e estruturas enxutas”, diz Alexandre van Beeck, sócio-diretor de planejamento e atendimento da Future Group, empresa de ativação full service e mobile marketing, de São Paulo. Segundo Alexandre, hoje o custo para desenvolver um APP é muito baixo e o acesso à tecnologia, fácil. “O grande diferencial são as pessoas, alguém que ofereça ideias inovadoras e design criativo.” Segundo Federico, com um cenário tão promissor, não está sendo fácil preencher as vagas abertas nas empresas de APP. “Temos mais de 15 posições em diversos níveis e não conseguimos contratar”, diz.

O presidente da MMA acredita que isso ocorre pois esse é um nicho novo, ainda em formação, com necessidade de alinhamento entre os profi ssionais e o mercado. As companhias de APP buscam jovens antenados e executivos comunicativos e habilidosos. “É comum profi ssionais de 25 anos assumirem cargo de gerência de coordenação devido às expertises de uma geração que já nasceu online”, diz Alexandre van Beeck, da Future Group.

O salário médio pode não ser tão bom em comparação com outras carreiras estabelecidas — gira em torno de 2 500 reais —, mas os desafi os valem a pena. A remuneração dos cargos mais altos fi - ca em torno de 15 000 reais, “porém, com ótimas perspectivas de variáveis”, garante Federico Pisani.

Veja algumas características essenciais para preencher as vagas do mercado:

> Independentemente da área de atuação, o profi ssional tem de ter perfi l de marketing, sendo capaz de transitar com desenvoltura no mercado, mostrando as possibilidades dos aplicativos.

> Formação em TI ou ciência da computação é desejável, mas não imprescindível. Dependendo do cargo, não é preciso desenvolver aplicativos, mas é importante ser um usuário ativo dessas ferramentas.

> É preciso conhecer a fundo a internet e todas as suas possibilidades.

> Como o design é fundamental, um curinga de todas as companhias é o designer gráfi co que entenda de celular, criando layouts bonitos, fáceis e rápidos. Normalmente essa pessoa vem de empresas de internet.

> Entender as necessidades do cliente, sempre com foco no usuário. Ou seja, ter bom senso para desenvolver produtos que possam ser usados por qualquer pessoa, e não apenas por experts da tecnologia.

> Como as empresas oferecem flexibilidade de horário — o expediente raramente começa antes das 10h —, é preciso estar disposto a não ter uma rotina típica de escritório. O profi ssional entra tarde, mas pode varar a noite em um projeto ou ser acordado às 2h da manhã para sanar uma dúvida.

> É preciso estar preparado para deglutir muita coisa nova e sangue-frio para selecionar a gama infi nita de informações e não entrar em pânico, achando que está fi cando obsoleto.

> Para quem está começando, participar de competições internacionais de desenvolvimento de aplicativos funciona como uma vitrine para obter bom emprego. Alguns exemplos são o Ericsson Application Awards, o Imagine Cup e o Forum Nokia.

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